VÓ CORA – O INICIO DE TUDO

Edith,Jenny, Domingos, Coracy e Ruth
e vó Cora sentadinha

Não cheguei a conhecer a minha vó Cora, mãe de minha mãe.
Esta mulher batalhadora que criou os filhos fazendo doces para as grandes festas em Ribeirão Preto talvez seja a “culpada” por minha entrada na cozinha.
Talvez seja genético, já que meu filho também está indo pelo mesmo caminho. A culinária.
Na verdade, pulou uma geração, já que todos me contam que mamãe não era muito chegada em panelas. Fazia o estritamente necessário. Nada de grandes paixões.
Quando era chamada para ajudar vovó, já que todos os filhos colaboravam, mamãe ia às compras. Pegava a lista  e lá ia ela comprar os ingredientes para as encomendas. Ia a pé, e parava na casa de cada vizinho, perguntando se queriam alguma coisa. A lista ia aumentando e vovó esperando o que precisava. Na volta das compras, mamãe ia parando nas casas para entregar os pedidos e em agradecimento as vizinhas ofereciam um pedaço de bolo e outras guloseimas e mamãe aceitava. Quando chegava em casa, bastante tempo depois, encontrava uma mãe muito brava, atrasada em suas encomendas.
Não sei se é folclore ou se é verdade. Mas quis contar prá vocês o que me contaram…….
Os outros filhos em compensação, seguiram o caminho de vovó. Tia Jenny continuou em Ribeirão a tradição de minha vó. E é desta fase que tenho lembranças, muito vagas, de dúzias e dúzias de ovos serem quebradas, para fazer os famosos caramelados, os bolos de noiva, os fios de ovos, entre tantos outros doces maravilhosos.
Passávamos lá nossas férias, eu, minhas primas Cora e Maria do Rosário e o pequenoPaulo Eugênio. Éramos inseparáveis.
E sempre aquela cozinha borbulhante de docinhos, sobremesas e bolos.
Elas eram muito econômicas. Para não perder as claras que sobravam, faziam um creme de ameixas. Aí sobrava o creme e elas inventavam outro doce. E de aproveitamento em aproveitamento, um dia tínhamos na mesa, dez ou doze sobremesas. Para não desperdiçar os ingredientes. Essas eram as irmãs Toledo Piza.
Digo irmãs porque Tia Ruth e Tia Coracy também ajudavam vovó e depois Tia Jenny, quando íamos passar nossas férias lá.
Elas realmente sabiam o que estavam fazendo. Tia Ruth gostava de fazer doces e Tia Coracy tinha “aquela” mão para os salgados.
E o irmão caçula, o Domingos, não sei se ajudava quando era pequeno. Mas adulto, ia para a cozinha também e tive já a oportunidade de colocar aqui no blog o Pudim de Conhaque que ele fazia, entre outras coisas. Fazia um doce de abobora, cortado pequeno, recheado com bala de ovos e caramelado. Era uma coisa de louco. Muito bom.

Quando enrolo brigadeiro, lembro muito da Tia Ruth. Ela fazia um cordão com a massa e ia tirando aos poucos, sem medir e todos saíam do mesmo tamanho. Para uma criança pequena, era algo mágico.
Da Coracizinha, lembro dos cuscus, dos croquetes, das tortas. Festa das Toledo Piza, era um festival gastronômico.
Da minha mãe, lembro da maionese que era feita a mão e de um ravioli.
Além de uma sopa horrorosa em que ela quebrava ovos inteiros dentro e todos éramos obrigados a tomar.Mesmo depois de casada, nas festas mamãe só fazia as compras. Para as irmãs fazerem pra ela.
Sabe porque eu contei tudo isso?
Para poder homenagear minha vó.

Nossos bens materiais vão e voltam.

Mas aquilo que foi plantado com tanto amor, o conhecimento que ela passou para os filhos e estes filhos para seus filhos, ninguém tira. Será sempre nosso.

Maria do Rosario, Eu,Paulo Eugenio no meu colo e Cora

~ por 30anosdecozinha em Outubro 6, 2009.

4 Respostas to “VÓ CORA – O INICIO DE TUDO”

  1. Oi, Tia. Parabéns!!!! Está tudo muito lindo e só de olhar já da muita água na boca. Muita sorte na empreitada. Beijos, Cacá

  2. Oi prima, maravilhoso.Tudo está muito lindo. As estórias da vida , mais maravilhoso ainda.
    Mil bjs.

  3. querida prima.Que coisa mais tocante repleta de sensibilidade recordações maravilhosas e muito mas muito amor.Obrigada pelo blog e por você estar nas nossas vidas.Roberto Ale André Ju Felipe Kiron e eu sua prima querida.

  4. Que sabor tem seu texto! Se, por escrito, você consegue todo esse tempero, imagino na cozinha… E eu que nem sabia – ou esqueci – que Cora era também o nome de sua avó… Beijos e saudades,
    Maristela

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